------| Boteco do Tulípio |------
 






















• Mesa 1
:: Eduardo Goldenberg
:: Luiz Antonio Simas

• Mesa 2
:: Ademir Assunção
:: Zema Ribeiro
:: Chacal

• Mesa 3

:: André Sant'Anna
:: Dema Jorge
:: Paulo Pellota
:: Paloma Kliss

• Mesa 4
:: Gerald Iensen
:: Luana Vignon
:: Pierre Masato

• Mesa 5
:: Andréa Del Fuego
:: Douglas Diegues
:: Luis Manoel Siqueira

• Mesa 6
:: Fernanda Prats
:: Thereza Dantas
:: Yara Camillo
 




Azeitonas
Por Jean Marcel

Dessa vez a discussão se deu quando decidiram pedir uma porção de azeitonas para acompanhar a cervejinha. Aperitivo mais pedido do cardápio do boteco do Tonho, trata-se da especialidade da casa cuja receita tem sido transmitida de pai para filho há anos. Tal prato consiste em verter “cuidadosamente” de trinta a quarenta delas numa pequena bandeja de alumínio, sem esquecer que quanto menor o tamanho da bandeja, maior a sensação de quantidade. A guarnição se completa com uma porção “generosa” de cinco ou seis palitinhos de madeira marca Gina, delicadamente acondicionados em um dos cantos. Se desejar, podem-se antecipar uns dois ou três já espetados nas azeitonas. É possível ainda, embora a saúde pública não aconselhe, reaproveitar os palitos usados que retornam das mesas – mas atenção: só os que não foram quebrados! - reincorporando-os em próximas porções, desde que previamente lavados.
Mas a confusão começou quando o Tonho, que acumula as funções de dono do boteco, caixa e chefe gourmet, questionou, num “discreto” grito por detrás do balcão, se desejavam a porção de azeitonas pretas ou verdes. Foi o suficiente para a turma se dividir e instalar-se a discórdia entre eles.
- Eu prefiro as verdes! - afirmou categórico o Afonso.
- Pois eu não abro mão das pretas! – desafiou o Paulão.
- As verdes são mais tenras! – replicou o Afonso.
- Tenras??? Ôoo palavra boiola! Por que não diz que as verdes são menos duras?
- Uh, cara grosso! Por que não são menos duras Paulão, são menos “rijas”.
- Rijas... tenras... sei não! Eu não gosto... Prefiro as pretas. Acho que as pretas fazem parte de uma espécie superior. São muito mais gostosas! – completou.
- Você acha as pretas mais “saborosas”?
- Não, GOSTOSAS mesmo!
- Pois eu Paulão, por mim, botava fogo em tudo quanto é pé de azeitona preta! – Desafiou o Afonso, empolgado com a discussão, esquecendo-se claramente do fato do Paulão ser o mais forte da turma.
Com os ânimos exaltados, estavam próximos de ir às vias de fato, quando o Arnoldo, novo intelectual da turma, interveio apaziguando.
- Gente, que besteira, vem tudo da mesma árvore!
Fez-se o silêncio.
- Como é que é?
- Elas vêm da mesma árvore e são o mesmo fruto. Só que foram colhidas em épocas diferentes. Começam verdes, depois amarelam e, por fim, ficam pretas.
- Você está dizendo que no fundo são todas da mesma “raça”?
- Espécie – concertou o Arnoldo. – São basicamente as mesmas azeitonas, só que em momentos distintos.
- Pois então está decidido! – decretou o Afonso. - A gente pede uma porção de azeitonas verdes e quem quiser que espere ficar preta! – disse isso já fazendo sinal com o dedo esticado para o Tonho, que aguardava impaciente no balcão pelo veredicto final.
Minutos depois, a porção que chegou à mesa de fato foi de verdes e o Afonso que teve que esperar pelo menos uma semana para sair o preto... Não das azeitonas, pois essas foram devoradas em menos de cinco minutos, mas sim do seu olho esquerdo, por conta do sopapo que levou!
- Bárbaros! –Pensou o Arnoldo que a tudo observava.



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