
• Mesa 2
:: Ademir Assunção

A POESIA É UMA MINA
CHEIA DE MANHAS
quando a noite vem eu ando por aí
meio desleixado um olho aberto o outro atento
no bolso sempre tenho papel e caneta
porque a qualquer momento pode pintar
uma frase porreta, um tumulto, uma treta
e no fundo eu nunca sei quando virá
aquele verso que vai virar tudo de pernas pro ar
e me fazer chegar aonde eu nunca cheguei
aonde esfarrapado e torto eu já nem sei

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Ademir Assunção mantém rígida disciplina samurai há pelos menos duas décadas: bebe às terças, quintas e sextas e escreve todas as manhãs, exceto naquelas de ressaca.
É, também, editor da Revista Coyote e autor de: LSD Nô, Adorável Criatura Frankenstein, Zona Branca, Cinemitologias, A Máquina Peluda, e do CD Rebelião na Zona Fantasma.
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