01 Byte 10 Cordas

Hamilton de Holanda

Como se o cara já não tocasse obtusamente bem com as oito* cordas tradicionalmente presentes em seu instrumento, Hamilton de Holanda resolveu, lá pros idos de 2000, introduzir duas mais em seu bandolim. Isso poderia ser apenas uma idiossincrasia qualquer, um jogo de marketing, uma frescura à toa. Não é!

Definitivamente não é! Ele utiliza com maestria e merece cada nota que essa ampliação cromática lhe proporciona. O resultado é uma sonoridade ímpar. Uma surpresa atrás da outra. Por vezes parece difícil acreditar que ele está tocando sozinho. O cara faz seu próprio acompanhamento em um instrumento tipicamente solista. Quem esteve no show viu e deu fé. Eu, paulistano e sem custas pra viagem, desgraçadamente não estive.

Não bastasse a técnica apurada, a interpretação é primorosa; um repertório escolhido a dedo. São composições próprias e de grandes mestres da música brasileira (Ary Barroso e Lamartine Babo; Pixinguinha e Benedito Lacerda; Théo de Barros e Geraldo Vandré), além do clássico Adios Nonino de Astor Piazzolla e Georges Coulonges com a participação especial do gaitista Gabriel Grossi.

Vou resistir às famigeradas comparações e dizer que antes de paralelos, similaridades, aproximações técnicas e de interpretação com bandolinistas que o precederam, Hamilton é único; construiu seu próprio estilo. E isso é uma façanha para poucos.

Se eu fosse você iria atrás dessa gravação o quanto antes. É de arrepiar.

* Tá bom, 4 duplas!