------| Boteco do Tulípio |------
 






















• Mesa 1
:: Eduardo Goldenberg
:: Luiz Antonio Simas

• Mesa 2
:: Ademir Assunção
:: Zema Ribeiro
:: Chacal

• Mesa 3

:: André Sant'Anna
:: Dema Jorge
:: Paulo Pellota
:: Paloma Kliss

• Mesa 4
:: Gerald Iensen
:: Luana Vignon
:: Pierre Masato

• Mesa 5
:: Andréa Del Fuego
:: Douglas Diegues
:: Luis Manoel Siqueira

• Mesa 6
:: Fernanda Prats
:: Thereza Dantas
:: Yara Camillo
 




Bendita Noite
Por Carlos Guilherme Tulio

Tudo estava perfeito. Meu dia tinha sido corrido e cansativo. A noite estava calma e um pouco fria. Depois de ter saciado a fome que me assola sempre entre as nove e dez horas da noite, tomei um banho quente e relaxante e me preparei para dormir.
Deitado, relaxado, banho tomado, ligo a televisão e tento desligar do mundo. Mas aquele filme despretensioso começa a ficar interessante e aquele cansaço parece que desaparece. Então você levanta e vai preparar algumas guloseimas na cozinha. A ansiedade é a melhor amiga da barriga. E você prepara aquele sanduíche, ou bolachinha, ou ovinhos mexidos, ou o resto do jantar com um copo de leite, ou suco, ou refrigerante, ou cerveja, ou vinho. Afinal é só um lanchinho para acompanhar o filme.
Perto das onze e meia da noite você está cansado, mas sem um pingo de sono. É quando o telefone toca e aquele seu amigo liga, perguntando de algum lugar legal para ir. Em plena terça-feira! Como está sem sono mesmo, você pede para que ele passe na sua casa e vão os dois para uma noitada sem propósito.
Ao entrar no carro, você ainda diz que deseja estar no máximo 01h30min da manhã em casa. Afinal, quarta-feira é dia de trabalho.
Finalmente chegamos ao “boteco” de sempre. A música está boa. O ambiente está bom. As pessoas estão mais simpáticas. Uma cervejinha, um comentário libidinoso com seu amigo, mais um drink e vocês encontram a amiga da prima daquela ex-namorada. E ela não está sozinha. Está com mais duas amigas que, pelo teor do papo, estão querendo algo mais quente do que uma conversa amigável.
Há essas horas já vão altas as horas e a única coisa que você quer é sair daquele lugar e ir para qualquer lugar onde você possa ouvir a sua própria voz.
Depois de muito pouca insistência uma das amigas sugere uma lanchonete perto do apartamento dela (percebeu o interesse) onde podemos ir.
Na lanchonete, compramos “um” refrigerante e subimos para o apartamento de uma das garotas. O ambiente é bom. A música é boa. As pessoas estão mais simpáticas e despretensiosamente sem roupa. Não preciso entrar em detalhes até as cinco da madrugada.
Depois do acontecido, você é tomado por uma sensação de culpa e de arrependimento e nessa hora vem a lembrança de que você está cansado, não dormiu nada, tem que ir trabalhar e que, no final das contas, a quarta-feira só está começando.

x-x-x-x

A manhã da quarta-feira parece que leva dois dias para passar. Seus movimentos ficam muito lentos, seus reflexos mais lentos ainda e seu humor simplesmente não existe. Você só tem vontade de tomar água e tudo de sólido que você coloca na boca tem o delicioso gosto de isopor. O telefone toca e parece que sinos tocam dentro da sua cabeça. Todas as pessoas parecem que gritam com você. E a sua cabeça dói. Seu fígado dói. Seu rim dói. Você dói.
A tarde chega e com ela o mau humor se instala. As piadas não têm graça, seus colegas de trabalho se transformam em carrascos sádicos, seu chefe parece que vigia cada movimento seu. Você não vê a hora de ir embora.
E a mágica hora de ir embora chega. E você não pensa em outra coisa a não ser, chegar em casa, tomar um banho e dormir.
Em casa, você sente que tudo está perfeito...



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