------| Boteco do Tulípio |------
 






















• Mesa 1
:: Eduardo Goldenberg
:: Luiz Antonio Simas

• Mesa 2
:: Ademir Assunção
:: Zema Ribeiro
:: Chacal

• Mesa 3

:: André Sant'Anna
:: Dema Jorge
:: Paloma Kliss

• Mesa 4
:: Gerald Iensen
:: Luana Vignon
:: Pierre Masato

• Mesa 5
:: Andréa Del Fuego
:: Douglas Diegues
:: Luis Manoel Siqueira

• Mesa 6
:: Fernanda Prats
:: Thereza Dantas
:: Yara Camillo
 


• Mesa 6
:: Fernanda Prats



É  FOGO !

O que pode ser pior para uma mulher do que andar pela casa só de calcinha e camisette e não ser notada pelo marido ? Andar, não... desfilar ! Ir de lá para cá com toda a elegância e naturalidade. Baton, lingerie nova (caríssima, diga-se de passagem), até salto alto, pô !
O cara compenetradíssimo. Jornal em riste, ar de político em véspera de depoimento em alguma “CPI” - ou do babacão que ele é mesmo. Deve ser uma leitura muito importante, fundamental. Mas o quê na seção de esportes?!!
Com vontade de chorar, ela volta ao banheiro para evitar uma tragédia ainda maior : borrar o rímel. E é ali, na frente do espelho, que percebe onde pode ter errado... Faltou perfume, a arma número um da sedução. Devidamente munida com três borrifadas de um francês po-de-ro-so, a mulher se empenha novamente.
O maridão limita-se a coçar o nariz... Sente o aroma, pelo menos. Já é um começo e ela não está disposta a desistir facilmente. Pega um copo com suco na cozinha. Recosta no batente da porta. Volta, pega um par de canudinhos. Mistura sensualmente. Bebe fazendo biquinho e arrisca  : - Quer ?
Uma virada de página é a resposta dele... Coça de novo o nariz, também. A esposa insiste:  - É suquinho de laranja, amor, daquele que você gosta... COM VODKA!  Ele nega balançando a cabeça e bate o jornal para deixá-lo mais firme. Cinco movimentos ao todo... uma evolução.
Pronto. Chega o momento de acionar o som, previamente plugado na tomada e programado (afinal, algumas mulheres tem verdadeiro pavor de aparelhos eletrônicos).
E não adianta colocar qualquer música. Tem que escolher bem, saber cantarolar junto...“Come on, baby, light my fire”. Suspense... Ele abaixa lentamente o jornal, levanta os olhos, dobra o caderno de esportes, joga-o no chão. “Come on baby, LIIIIIIGHT MY FIRE !”. Agora sim ele se inquieta. Cutuca o nariz com o osso do indicador e estica o outro braço, procurando por algo na lateral do sofá... - Cê não tá com frio, bem ? Cadê o Jornal do Carro?



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É FOGO


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